O HOMEM DE DESEJO (versão em português)
Segundo André Tanner, Saint-Martin é um «homem de desejo». E é preciso restituir a esta bela expressão toda sua amplitude, e sua pureza primeira. O desejo é o próprio do homem, o signo de sua miséria e de sua grandeza. O desejo, é o sentimento doloroso disto que separa a existência da essência, e a necessidade de uni-los. Assim concebido — «vi que nada havia de tão comum que os desejos, e nada de tão raro que o desejo», dirá Saint-Martin — o desejo regula a démarche de deste teósofo, e se define, nele, em relação ao lamento de uma perfeição perdida, à humilhação da «Queda», e à possibilidade de uma «regeneração», graças àquele que se satisfaz a nomear o «divino Reparador». O pensamento nutre o desejo, em demonstrando a natureza transcendente do homem, o esforço moral o purifica e o guia para sua meta. Então, o homem caído sente lentamente nascer e crescer nele, em etapas paralelas à vida do «Reparador», o fruto interior de seu desejo, o «novo homem».
Excertos: